A escarlatina, uma infecção bacteriana que afeta principalmente crianças menores de 10 anos, tem sido observada no Brasil com sintomas distintivos, como língua avermelhada com aspecto de "framboesa" e manchas rosadas e ásperas na pele. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relata um aumento da incidência global da doença, especialmente em países como França, Irlanda, Suécia e Reino Unido, e o Brasil também registra um aumento significativo em 2023, com o estado de São Paulo reportando 31 surtos de janeiro a novembro, em comparação com apenas 4 no ano anterior.

Segundo Victor Horácio, infectologista e vice-diretor de Assistência e Ensino do Hospital Pequeno Príncipe (PR), o aumento de casos na Europa e na América Latina está relacionado ao período pós-pandemia. O isolamento prolongado tornou as pessoas mais suscetíveis à bactéria Streptococcus do grupo A, responsável pela escarlatina, devido à falta de desenvolvimento de anticorpos durante a fase da Covid-19.

Os infectologistas asseguram que o tratamento com antibióticos é eficaz, praticamente eliminando o risco de transmissão em 24 horas. No entanto, a preocupação reside nas possíveis doenças invasivas causadas pela mesma bactéria, como pneumonia e meningite.

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O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, explica que a escarlatina costuma atingir crianças devido ao desenvolvimento ainda em curso de seus sistemas imunológicos, tornando-as mais vulneráveis a infecções bacterianas secundárias.

Os sintomas clássicos da escarlatina incluem manchas rosadas e textura áspera na pele, além de uma língua com aparência de "framboesa". O diagnóstico é geralmente clínico, sem a necessidade de exames. O tratamento envolve o uso de antibióticos prescritos por médicos, com melhora dos sintomas em dois ou três dias. É fundamental procurar assistência médica assim que os primeiros sintomas aparecerem.

A transmissão ocorre por gotículas expelidas durante tosse, espirro, fala ou contato próximo com objetos compartilhados. Medidas preventivas incluem evitar o compartilhamento de utensílios, copos e brinquedos, evitar o contato com indivíduos contaminados e impedir que crianças com escarlatina frequentem a escola nas primeiras 24 horas do tratamento, garantindo que o antibiótico reduza o risco de transmissão.

FONTE/CRÉDITOS: Redação