Os preços do petróleo e do gás registraram fortes altas nesta segunda-feira (2), enquanto as principais bolsas do mundo operavam em queda, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a resposta de Teerã.

De acordo com a France Presse, o setor mais impactado nos mercados acionários foi o de aviação e turismo, com quedas expressivas nas ações das companhias aéreas.

Preço do petróleo dispara

O barril de petróleo Brent chegou a subir quase 14%, cotado a US$ 78,92, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 12%, negociado a US$ 72,19, por volta das 10h18 (horário de Brasília). Em alguns momentos, o Brent ultrapassou US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Antes mesmo da escalada do conflito, o petróleo já vinha subindo devido a tensões políticas, encerrando a semana passada em US$ 72.

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O conflito também provocou forte alta nos preços do gás na Europa. O contrato do TTF (Title Transfer Facility), principal referência para o gás natural europeu, avançou mais de 41%, cotado a 45,3 euros, devido ao receio de impacto nas exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região do Golfo, especialmente do Catar.

Repercussão nos mercados internacionais

Na Ásia, a maioria das bolsas caiu, refletindo preocupação com o Oriente Médio. Tóquio registrou queda de 1,4%, Hong Kong 2,1%, enquanto Xangai fechou em leve alta.

Na Europa, as Bolsas abriram em queda generalizada: Paris recuou 1,96%, Frankfurt 1,99%, Milão 2,13%, Londres 0,55% e Madri 2,58%, segundo a AFP.

O setor aéreo foi o mais afetado, já que a alta do petróleo eleva o custo do combustível. Em contraste, companhias de energia se valorizaram, pois a elevação nos preços de petróleo e gás tende a aumentar seus lucros.

Produção interrompida em vários países

Segundo a Reuters, o Catar suspendeu a produção de GNL após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos.

A Arábia Saudita fechou, por precaução, sua maior refinaria doméstica em Ras Tanura, com capacidade de 550 mil barris por dia.

No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram operações preventivamente. Antes da suspensão, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia para o porto turco de Ceyhan.

Em Israel, a Chevron suspendeu temporariamente operações nos campos de gás Leviatã e Tamar, enquanto a Energean desligou plataformas menores.

No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país, que produz aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos. O país é o terceiro maior produtor da Opep, respondendo por 4,5% do fornecimento global de petróleo.

Estreito de Ormuz e risco de novas altas

O conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área, o que disparou o preço dos seguros e levou grandes companhias a suspenderem rotas pelo estreito.

Analistas alertam que, caso haja interrupção prolongada no fornecimento, o petróleo pode ultrapassar US$ 100 por barril, cenário semelhante ao observado no início da guerra na Ucrânia.

Em resposta, Arábia Saudita, Rússia e outros membros da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, acima do volume inicialmente previsto.

Impacto no dólar e ouro

O aumento do preço da energia pode pressionar a inflação e afetar a atividade econômica. O ouro, ativo de proteção em períodos de instabilidade, subiu 2%, enquanto o dólar também se valorizou.

Kathleen Brooks, da corretora XTB, destacou à AFP:

“Com o envio de tropas, aviões e navios de guerra dos Estados Unidos para a região, os metais preciosos já vinham se recuperando: o ouro subiu 3,3% e a prata, 10,8% na semana passada. Eles continuam sendo vistos como reserva de valor.”