Erechim, no Alto Uruguai, convive há décadas com os efeitos de temporais que combinam chuva forte, ventos intensos e, sobretudo, granizo. Mas nos últimos nove anos, entre 2016 e 2025, a cidade registrou episódios de magnitudes diferentes — culminando no desastre climático de novembro de 2025, considerado por autoridades o mais severo da história recente do município.

Registros oficiais e reportagens locais permitem traçar um panorama da escalada dos eventos extremos.

2016–2023: anos de ocorrências pontuais, porém sem grandes registros oficiais

Entre 2016 e 2023, Erechim enfrentou temporais típicos da região, com destelhamentos isolados, quedas de árvores e interrupções de energia. A maior parte desses episódios foi relatada por veículos de imprensa locais, mas sem boletins oficiais detalhados da Defesa Civil, na época.

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O evento mais marcante dentro desse período ocorreu em 24 de agosto de 2018, quando ventos fortes e chuva intensa provocaram destelhamentos e danos materiais em vários bairros. Segundo informações levantadas, houve diversos chamados para atendimento emergencial, embora não tenham sido registrados feridos graves.

2024: sinais de instabilidade mais frequentes na região

O ano de 2024 marcou um aumento na frequência de alertas meteorológicos para o Alto Uruguai. Temporais com vento e granizo atingiram cidades próximas, e Erechim registrou episódios moderados sem grandes números de vítimas. A Defesa Civil estadual destacou, em boletins regionais, a tendência de instabilidades mais severas no norte do Rio Grande do Sul.

2025: o ano que redefiniu a escala dos desastres climáticos em Erechim

Nada, porém, se comparou ao que aconteceria no final de 2025.

Figura 1: Imagens do radar meteorológico de Porto Alegre às 16h45 do dia 23 de novembro de 2025, mostrando a tempestade de granizo sobre Erechim. Na esquerda temos a refletividade (dBZ) e na direita a massa de água integrada verticalmente (VIL). Fonte: Climatempo e CMDEC / Defesa Civil Estadual.

23 de novembro de 2025 — granizo gigante e danos sem precedentes

Em poucos minutos, um intenso temporal com granizo de grande diâmetro atingiu Erechim, devastando bairros inteiros. Casas foram perfuradas pelas pedras, veículos ficaram destruídos e milhares de famílias precisaram de assistência.

Dados divulgados pelo Governo do municipal, nesta quinta-feira (27), apontaram mais de 42 mil pessoas afetadas. Hospitais atenderam 318 feridos e, nas horas seguintes, a Prefeitura de Erechim declarou Situação de Emergência, iniciando o cadastro das residências destruídas.

Relatórios preliminares da administração municipal indicaram cerca de 10 mil casas danificadas. O Governo do Rio Grande do Sul anunciou um repasse emergencial de R$ 1,5 milhão para ações imediatas de resposta e reconstrução.

Agências meteorológicas nacionais classificaram o evento como “extremamente severo”, destacando o tamanho incomum das pedras de granizo e a rapidez com que o sistema se formou.

Uma década marcada por contrastes

Se a maior parte dos anos entre 2016 e 2023 registrou danos relativamente limitados, o salto observado em 2025 expôs uma vulnerabilidade crescente da região a eventos extremos.

Meteorologistas ouvidos pela imprensa na época compararam o temporal a episódios raramente observados no Rio Grande do Sul, citando padrões atmosféricos associados ao aumento da intensidade das tempestades de curta duração.

Autoridades discutem prevenção e adaptação

Após o desastre, a Prefeitura reforçou treinamentos com voluntários da Defesa Civil e ampliou os cadastros de áreas de risco. O Governo do Estado também destacou a necessidade de novas políticas de prevenção, como aprimoramento de alertas e programas de reconstrução resiliente.

Especialistas alertam que, diante da variabilidade climática crescente, cidades de médio porte como Erechim devem adaptar infraestrutura e protocolos de emergência.

O futuro da cidade diante dos eventos extremos

O desastre de 2025 permanece como marco na memória da população — e como lembrete de que o clima no Alto Uruguai pode ser imprevisível e devastador.

Enquanto autoridades avaliam os danos e revisam protocolos, moradores tentam reconstruir não apenas casas, mas rotinas e sensações de segurança abaladas pelo temporal histórico.

Se a década trouxe altos e baixos, o último ano deixou claro: Erechim entrou definitivamente no mapa das cidades brasileiras que precisarão se preparar para um futuro onde eventos extremos podem se tornar cada vez mais frequentes.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação - Quentuchas Notícias