O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um — ganhou força no Congresso Nacional e deve ser uma das pautas centrais do ano legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A relatoria ficou a cargo do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), escolha que gerou repercussão, já que o partido sinalizou oposição à proposta.

Nos bastidores, União Brasil e PL articulam para que o texto não seja levado ao plenário antes das eleições. Lideranças dessas siglas avaliam que, se a matéria for votada, há grande chance de aprovação, devido à popularidade do tema entre os eleitores.

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Governo defende prioridade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o fim da escala 6×1 é um dos desafios do governo neste último ano de mandato, defendendo a redução da jornada sem corte salarial. A proposta em discussão prevê diminuir a carga semanal de 44 para 36 horas.

Aliados do governo destacam que a medida busca oferecer mais qualidade de vida aos trabalhadores, alinhando o Brasil a modelos adotados em outros países. Centrais sindicais também apoiam a mudança e pretendem levar o tema como pauta central nas mobilizações do Dia do Trabalhador.

Setor produtivo alerta para impactos econômicos

Representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os efeitos econômicos da proposta. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que os custos operacionais das empresas possam aumentar até R$ 267 bilhões por ano, sendo quase R$ 90 bilhões apenas na indústria.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, afirma que manter salários com jornada reduzida pode elevar em cerca de 20% os custos trabalhistas, resultando em repasse de 7% a 8% nos preços ao consumidor final.

Empresários também apontam dificuldades na contratação de novos trabalhadores em um cenário de baixo desemprego e alertam para o risco de fechamento de pequenas empresas e redução de serviços, especialmente em regiões mais pobres.

Debate em ano eleitoral

O tema ganhou forte repercussão nas redes sociais, com petições e manifestações públicas favoráveis à mudança. Críticos, no entanto, destacam que o debate ocorre em um ano eleitoral, o que pode influenciar a posição de parlamentares.

A PEC ainda precisa ser aprovada na CCJ e, se avançar, seguirá para votação em dois turnos na Câmara e no Senado.