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A Polícia Civil cumpriu na manhã desta quinta-feira (4) seis mandados de busca e apreensão em uma investigação que apura o abate irregular de cães na Secretaria de Bem-Estar Animal de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A investigação é conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, sob responsabilidade da delegada Luciane Bertolletti, e teve início após denúncias indicando um número excessivo de eutanásias realizadas no local. Segundo a polícia, foram registrados cerca de 240 procedimentos em apenas 8 meses.
"O que nós observamos e colhemos de indícios é de que ocorria ali uma matança desmedida de cães. O motivo? Ganho financeiro de uma das investigadas. Identificamos que ela, que tinha cargo de gestão, recolhia animais doentes na rua, postava em suas redes sociais para pedir depósitos via PIX a título de tratamento e, depois de um tempo, esses animais simplesmente sumiam", afirmou a delegada Luciane Bertolletti.
Eutanásias após doações
A suspeita — que atuava na gestão da secretaria — teria resgatado cães doentes, divulgado os casos em suas redes sociais para solicitar doações financeiras via PIX com a justificativa de custear tratamentos veterinários, e, posteriormente, realizado eutanásias utilizando a estrutura pública, mesmo sem a devida indicação técnica.
🔍 Na medicina veterinária, a eutanásia só deve ser aplicada em casos extremos, quando não há qualquer possibilidade de recuperação do animal.
A Polícia Civil não divulgou nomes oficialmente.
A ex-secretária é suspeita de estelionato, maus-tratos a animais e de utilizar a secretaria para fins pessoais. Além dos cães, a polícia também apura maus-tratos contra gatos, que estariam sendo mantidos de forma irregular dentro de um contêiner.
Cadáveres de cães e gatos foram encontrados em freezer
Durante a operação, a Polícia Civil esteve na sede da Secretaria de Bem-Estar Animal, em Canoas, onde localizou cadáveres de cães e gatos acondicionados em sacos plásticos dentro de um freezer. A origem e causa das mortes ainda são investigadas.
Outro mandado foi cumprido na residência da ex-secretária, localizada na Zona Sul de Porto Alegre, onde os agentes apreenderam cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo.
Também foram alvos da operação:
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Um sítio no Extremo Sul da Capital
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Um sítio pertencente a um familiar da suspeita
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A residência de uma médica veterinária que atuava na secretaria
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A casa de um homem suspeito de transportar os restos mortais dos animais
Dossiê e denúncias internas
A apuração conta com o apoio da ONG Rede de Proteção Ambiental e Animal (Repraas). O presidente da entidade, Vladimir da Silva, informou que as primeiras denúncias vieram de servidores da própria secretaria, que relataram o descarte de animais mortos sem registro oficial.
"Toda semana, uma caminhonete passava e retirava os corpos dos cães mortos, levando para descarte sem que fosse documentado", contou Vladimir.
Segundo ele, um dos funcionários chegou a preparar um dossiê com fotos de cães desaparecidos, o que reforçou as suspeitas. De acordo com a polícia, os animais recolhidos não tinham registro de destino.
Agora, a Polícia Civil também busca registros de microchips dos cães e gatos mortos, e todos os animais encontrados no local estão sendo catalogados pelos investigadores.
Prefeitura se manifesta
Em nota, a Prefeitura de Canoas informou que colabora com as investigações e que abriu um expediente interno para apurar os fatos "com todo o rigor".
No site da prefeitura, a ex-secretária se apresentava como "protetora de animais há mais de 20 anos" e ganhou visibilidade nas redes sociais por adotar cães com deficiência.
Nota da prefeitura de Canoas
"A Prefeitura de Canoas recebe com indignação as denúncias relacionadas à operação realizada na manhã desta quinta-feira (4). A administração municipal sempre se comprometeu a tratar o cuidado com os animais como prioridade. A Prefeitura reitera que colabora com as investigações e abriu um expediente interno para apurar os fatos com todo o rigor".
Com informações da Polícia Civil, RBS TV e G1 RS
Publicado por:
Quentuchas Notícias
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