A tempestade solar atingiu a Terra às 12h17 (horário de Brasília) nesta quinta-feira (10), com potencial de duração até sexta-feira. Condições de tempestade de nível 3 (G3) foram registradas às 0h49, e os cientistas confirmaram que a tempestade alcançou nível 4 (G4) às 13h57.

A tempestade chegou se movendo a cerca de 2,4 milhões de quilômetros por hora e alcançou os satélites Deep Space Climate Observatory e Advanced Composition Explorer, que orbitam a 1 milhão de milhas da Terra, aproximadamente 15 a 30 minutos antes. Esses satélites medem a velocidade e a intensidade magnética da tempestade, conforme explicou Shawn Dahl, coordenador de serviço do Centro de Previsão do Tempo Espacial, em coletiva de imprensa na quarta-feira.

Uma série de intensas erupções solares, conhecidas como erupções de classe X, foram liberadas pelo Sol esta semana, coincidindo com ejeções de massa coronal (CMEs) observadas na terça-feira. As CMEs são grandes nuvens de gás ionizado, chamadas plasma, que se elevam da atmosfera externa do Sol. Quando direcionadas à Terra, podem causar tempestades geomagnéticas, que são distúrbios significativos no campo magnético terrestre.

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De acordo com o Centro de Previsão do Tempo Espacial dos EUA, “tempestades geomagnéticas podem impactar a infraestrutura em órbita terrestre e na superfície”. Por isso, o centro notificou a Agência Federal de Gestão de Emergências, a rede elétrica da América do Norte e operadores de satélites para se prepararem para possíveis interrupções, especialmente em função dos esforços de alívio previstos para o furacão Milton.

Historicamente, tempestades de nível 4 são comuns durante um ciclo solar, mas tempestades de nível 5, consideradas geomagnéticas extremas, como a que ocorreu em 10 de maio, são extremamente raras. Esta nova tempestade tem 25% de chance de se tornar uma G5.

Aumento da Atividade Solar

Com a aproximação do pico do ciclo solar de 11 anos, previsto para este ano, o Sol tem se tornado mais ativo, resultando em erupções solares cada vez mais intensas. Essa atividade provoca as famosas auroras boreais e austrais, que aparecem nos polos da Terra. Quando partículas energizadas das CMEs atingem o campo magnético da Terra, interagem com os gases da atmosfera, criando essas deslumbrantes luzes coloridas.

Atualmente, os cientistas acreditam que auroras visíveis podem aparecer em estados centrais do leste e no meio-oeste inferior dos EUA. Contudo, ainda não é certo se a tempestade provocará um fenômeno global de auroras, como a G5 em maio. Caso a tempestade evolua para G5, as auroras poderão ser vistas em estados do sul e em outras partes do mundo.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) recomenda o uso de seu painel de auroras para verificar se as luzes do norte e do sul são esperadas em sua região. Esse painel é constantemente atualizado e pode mostrar onde uma aurora pode aparecer em minutos após a informação se tornar disponível.

A chance de observar auroras aumentou consideravelmente, já que a escuridão chega mais cedo nesta época do ano. Observadores do céu nos EUA que viram auroras causadas por uma tempestade G3 no fim de semana avistaram as luzes do norte uma ou duas horas após o anoitecer. Mesmo que as exibições não sejam tão visíveis a olho nu, sensores em câmeras e smartphones podem capturá-las.

Potencial de Interrupções

Cientistas da NOAA afirmaram que não acreditam que a tempestade desta semana supere a de maio. Antes disso, a última tempestade G5 a atingir a Terra ocorreu em 2003, resultando em cortes de energia na Suécia e danificando transformadores elétricos na África do Sul. Durante a tempestade geomagnética de maio, a empresa de tratores John Deere relatou que alguns clientes que dependem de GPS para agricultura de precisão enfrentaram interrupções. No entanto, a maioria dos operadores de redes elétricas e de satélites conseguiu manter seus sistemas em ordem.

A tempestade solar de maio foi a mais bem mitigada na história do clima espacial. Os cientistas continuam monitorando o aumento da atividade solar, pois isso pode indicar onde o Sol se encontra em seu ciclo. A velocidade da ejeção de massa coronal de terça-feira surpreendeu os especialistas, pois foi a mais rápida medida até agora neste ciclo solar, mas isso não significa que o pico da atividade solar esteja ocorrendo neste momento. Ciclos solares anteriores mostraram que algumas das maiores tempestades podem ocorrer após o pico.

“Estamos no meio do máximo solar agora; só não sabemos se já atingimos o pico”, afirmou Dahl. “Isso será decidido mais tarde, e pode ser ainda este ano ou no início do próximo. A conclusão é que ainda teremos um período agitado com a atividade do ciclo solar até este ano e, possivelmente, até o início de 2026.”

FONTE/CRÉDITOS: Redação