O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (8) que as comemorações de Natal no país serão antecipadas para o dia 1º de outubro. Esta é a segunda vez consecutiva que o governo venezuelano antecipa oficialmente o período natalino.

O anúncio foi feito durante o programa semanal de Maduro na emissora estatal VTV, que foi ao ar ao som de músicas natalinas. O presidente justificou a decisão como uma forma de promover bem-estar e esperança à população venezuelana.

“Com alegria, comércio, atividade, cultura, canções natalinas, gaitas... É a maneira de defender a felicidade, o direito à felicidade, o direito à alegria”, declarou.

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“Ninguém e nada neste mundo tirará nosso direito à felicidade, à vida e à alegria.”

Segundo Maduro, a antecipação é uma resposta ao desejo dos venezuelanos, que estariam “constantemente em busca de felicidade”.

A medida ocorre em meio à crescente tensão entre Venezuela e Estados Unidos. Recentemente, o governo norte-americano deslocou oito navios da Marinha para áreas próximas ao território venezuelano — sete no Caribe e um no Pacífico. A operação é justificada por Washington como parte de uma ação contra o narcotráfico e o terrorismo.

De acordo com a agência Reuters, os EUA alegam que Maduro lidera o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista, e o consideram um fugitivo da Justiça, oferecendo recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.

A movimentação militar inclui ainda 4.500 militares, aviões espiões P-8 e até um submarino nuclear. Caracas, por sua vez, classificou as ações como uma “ameaça direta” e mobilizou tropas e milicianos em resposta.

A antecipação das festas não é inédita no governo de Maduro. Além de 2024, quando a celebração natalina também foi adiantada para outubro, ele tomou medida semelhante em 2020, durante a pandemia, e em 2013, ano em que assumiu o poder.

No ano passado, analistas interpretaram a decisão como uma tentativa de desviar o foco da crise interna, que incluía prisões de opositores e contestações ao resultado das eleições presidenciais.

Especialistas voltam a levantar suspeitas semelhantes neste ano. Para o doutor em Ciência Política Maurício Santoro, do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, a situação no Caribe se assemelha ao que foi visto no Oriente Médio recentemente.

“É uma situação muito semelhante àquela do Irã, alguns meses atrás. O volume de recursos militares que os Estados Unidos transferiram para o Oriente Médio naquela ocasião, e agora para o Caribe, são indicações de que eles estão falando sério”, afirmou.

“Não é simplesmente um blefe. Há preparação para algum tipo de intervenção militar.”

Segundo o site Axios, o presidente Donald Trump teria solicitado ao seu alto escalão um "menu de opções" para lidar com a Venezuela. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, se recusou a comentar os objetivos da operação militar, mas afirmou que o governo "vai usar toda a força contra Maduro".

Fontes ouvidas pela imprensa americana não descartam ações mais agressivas, incluindo possível invasão.

Enquanto a tensão geopolítica aumenta, o governo Maduro aposta novamente em uma antecipação simbólica do Natal. A iniciativa, segundo o presidente, busca “defender a felicidade” dos venezuelanos, mas é vista por muitos como uma tentativa de mascarar a crise e desviar o foco da pressão interna e externa.

Informação G1

FONTE/CRÉDITOS: Redação