Uma nova morte por leptospirose foi confirmada no Rio Grande do Sul. Um homem de 33 anos, morador da região central de Venâncio Aires, morreu após contrair a doença. Este é o segundo óbito confirmado nos últimos dias no estado, que enfrenta temporais e enchentes desde o final de abril.

A prefeitura de Venâncio Aires informou que o homem teve contato com as águas das enchentes, apesar de ter adotado precauções como o uso de botas. O município também confirmou pelo menos outros dois casos de leptospirose, ambos com pacientes já recuperados.

A outra morte por leptospirose foi registrada em Travesseiro, no Vale do Taquari, uma das regiões mais afetadas pelas enchentes. Um homem de 67 anos faleceu no dia 17 de maio, com a confirmação da morte ocorrendo no domingo, 19 de maio.

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A Secretaria Estadual da Saúde (SES) confirmou, na manhã desta quinta-feira (23), um total de 48 casos de leptospirose no estado, com 19 novos casos registrados recentemente. Os casos foram confirmados após análise do Laboratório Central do Estado (Lacen), a partir das notificações enviadas pelos municípios.

Até o dia 19 de abril, houve 129 casos e seis óbitos por leptospirose em 2024 no RS. O estado começou a ser atingido pelas enchentes no dia 29 de abril. No total, no ano passado, foram 477 casos e 25 óbitos, informou a SES. Atualmente, há 545 pessoas sob suspeita de contágio.

A vigilância sanitária recomenda que a população procure atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas de leptospirose, como febre, dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo (especialmente na panturrilha) e calafrios. Os sintomas aparecem normalmente entre cinco e 14 dias após a contaminação, podendo chegar a 30 dias. O tratamento é iniciado na suspeita da doença, baseado na apresentação dos sinais e sintomas compatíveis e na exposição a situações de risco nos últimos 30 dias.

A leptospirose é uma das maiores preocupações das autoridades sanitárias no Rio Grande do Sul, devido ao risco aumentado pelo contato com água das enchentes. A infecção é causada pela bactéria leptospira, presente na urina de roedores, sendo comumente adquirida pelo contato com água ou solo contaminados.

A SES recomenda que casos suspeitos oriundos de áreas de alagamento e com sintomas compatíveis com leptospirose devem iniciar tratamento imediato e, quando possível, ter amostra coletada a partir do sétimo dia do início dos sintomas para envio ao Laboratório Central do Estado (Lacen).

O tratamento com o uso de antibióticos deve ser iniciado no momento da suspeita por parte de um profissional de saúde. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, mas, nos casos graves, a hospitalização deve ser imediata, para evitar complicações e diminuir a letalidade. A automedicação não é indicada.

Nos locais invadidos por água de chuva, recomenda-se desinfecção com água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%), na proporção de um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água. Outras medidas preventivas incluem manter alimentos em recipientes fechados, manter a cozinha limpa, retirar restos de alimentos ou ração de animais antes do anoitecer, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais. A luz solar também ajuda a matar a bactéria.

FONTE/CRÉDITOS: Redação