A gravidez na adolescência é classificada como uma gestação de alto risco, especialmente quando ocorre antes dos 15 anos, e permanece como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. Esse tipo de gestação está frequentemente associado à falta de acesso à informação qualificada, à orientação em saúde e aos métodos contraceptivos adequados.

Durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE) reforça a importância da informação, da prevenção e do acompanhamento em saúde como estratégias fundamentais para reduzir índices e riscos relacionados à gestação precoce. Dados globais indicam que a taxa mundial de gravidez entre adolescentes de 15 a 19 anos é de aproximadamente 46 nascimentos a cada mil. No Brasil, esse número é mais elevado, variando entre 53 e 68,4 nascimentos por mil.

Educação, prevenção e acompanhamento em saúde

Segundo a médica ginecologista e obstetra do Hospital Santa Terezinha, Monique Fardo, a gravidez na adolescência compreende gestações entre os 10 e os 20 anos e pode representar riscos tanto para a gestante quanto para o bebê. “Esse tipo de gestação pode estar associado a complicações como eclâmpsia, diabetes gestacional, anemia e infecções urinárias. Para o bebê, aumentam os riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer”, explica.

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A prevenção está diretamente ligada ao acesso à educação sexual de qualidade, baseada em evidências científicas, além do fortalecimento do diálogo no ambiente familiar e escolar. O acompanhamento ginecológico precoce também é um pilar essencial nesse cuidado.

De acordo com a especialista, as consultas ginecológicas devem iniciar após a primeira menstruação ou no começo da vida sexual, com acompanhamento regular ao menos uma vez por ano. “O cuidado ginecológico permite orientar, prevenir e acompanhar a saúde da adolescente desde o início da puberdade”, destaca.

Durante as consultas, são abordadas orientações sobre métodos contraceptivos eficazes, como DIU, implantes e injeções, além de planejamento familiar e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sempre com avaliação individualizada.

Atenção multidisciplinar e proteção de direitos

Nos casos em que a gravidez ocorre na adolescência, o atendimento deve ser integral e multiprofissional, envolvendo médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. O objetivo é garantir um pré-natal qualificado, reduzir riscos como pré-eclâmpsia e prematuridade e oferecer suporte emocional, social e educacional, prevenindo a evasão escolar e outras vulnerabilidades.

Quando a gestação ocorre em meninas com menos de 14 anos, a situação é caracterizada como violência, exigindo atenção especial. Nesses casos, é assegurada a proteção legal, com notificação ao Conselho Tutelar e encaminhamento para os serviços de saúde e de proteção previstos na legislação brasileira.

Ao longo da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, o Hospital Santa Terezinha reafirma seu compromisso com a informação, a atenção humanizada e o cuidado integral, fortalecendo a rede de apoio em saúde e promovendo a proteção dos direitos, da dignidade e do desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.