O monitoramento de safra pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelou recentemente que o Rio Grande do Sul já colheu aproximadamente 30% da área plantada de milho no ciclo 2023/2024. No entanto, ao contrário da soja, a produtividade média está abaixo das previsões iniciais, especialmente nas regiões mais quentes do Estado. Nestas áreas, que plantaram o grão cedo e foram impactadas por enxurradas em setembro, outubro e novembro do ano passado, a chuva resultou em acúmulo hídrico no solo e dificultou a aplicação da adubação nitrogenada.

O agrônomo Alencar Rugeri, da Emater/RS-Ascar, destaca que a chuva também perpetuou a presença de cigarrinhas e bacterioses, afetando a polinização e resultando em menor quantidade de milho. Problemas no fornecimento de energia elétrica e o uso de cultivares inadequadas ao clima agravaram a situação.

Geomar Corassa, gerente de pesquisa da Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL), relata perdas superiores a 50% nas plantações de milho na região Noroeste do Estado, especialmente nas áreas atingidas pela cigarrinha e por doenças bacterianas e fúngicas. O coordenador da Câmara Setorial do Milho da Secretaria da Agricultura (Seapi), Paulo Vargas, destaca dificuldades na colheita devido a lavouras tombadas pelo vento, afetando a qualidade e quantidade do grão.

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Apesar das adversidades no primeiro terço da safra, espera-se uma colheita promissora nas áreas que semearam o milho tardiamente, alcançando uma produtividade entre 140 e 150 sacos por hectare. A produção gaúcha de milho, projetada em aproximadamente 5 milhões de toneladas, sinaliza um aumento significativo em relação ao ano anterior, impulsionado por plantações mais tecnificadas e profissionalizadas.

A abertura oficial da safra 2023/2024 de milho no Rio Grande do Sul está marcada para 27 de fevereiro na Metade Sul do estado, ressaltando a importância do cultivo no sistema sulco camalhão. A Metade Sul, apesar de já ser uma fronteira aberta para o milho, demanda capacitação técnica para lidar com essa cultura sensível.

Destaca-se que municípios como Vacaria, Muitos Capões, Bom Jesus, Esmeralda, Caxias do Sul, Venâncio Aires, Doutor Maurício Cardoso, São Francisco de Paula e Lagoa Vermelha são alguns dos principais produtores de milho de sequeiro, enquanto São Luiz Gonzaga, Cruz Alta, Palmeira das Missões, São Miguel das Missões, Santa Bárbara do Sul, São Borja, Santo Antônio das Missões, Boa Vista do Cadeado, Coronel Bicaco e Tupaciretã se destacam no cultivo irrigado.

Fonte: Radiografia Agropecuária Gaúcha 2023 - Governo do Estado

 
FONTE/CRÉDITOS: Redação