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O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta quarta-feira (1º), uma paralisação parcial de suas atividades — conhecida como shutdown. A medida foi acionada após o impasse orçamentário entre o presidente Donald Trump e o Congresso não ser superado. As negociações travaram principalmente diante da defesa dos Democratas em manter os recursos destinados à saúde, com destaque para o programa Obamacare.
Este é o primeiro fechamento desde o mais longo da história norte-americana, ocorrido entre 2018 e 2019, quando durou 35 dias. Com a decisão, diversos departamentos e agências federais interromperão seus serviços, afetando centenas de milhares de servidores em todo o país.
Trump responsabiliza Democratas e ameaça cortes
O presidente Donald Trump culpou os Democratas pelo bloqueio no orçamento e elevou o tom, ameaçando cortes em áreas da agenda progressista e até demissões.
“Estaríamos demitindo muitas pessoas que serão muito afetadas. E são democratas, vão ser os democratas”, declarou.
Pouco antes, Trump já havia sinalizado medidas duras:
“Podemos fazer coisas durante o fechamento que são irreversíveis, ruins para eles (...) como demitir muita gente ou cortar programas de que eles gostam.”
As declarações aumentam a tensão entre os servidores, que já convivem com incertezas desde as demissões em massa conduzidas pelo Departamento de Eficiência Governamental (Doge), sob supervisão do ex-conselheiro da presidência Elon Musk.
Impactos na economia e nos empregos
Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), cerca de 750 mil funcionários federais podem ficar sem remuneração parcial, representando uma perda de US$ 400 milhões (R$ 2,12 bilhões) em salários. Os pagamentos só serão retomados após o fim da paralisação.
De acordo com a Nationwide, cada semana de shutdown pode reduzir em 0,2 ponto percentual o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. O fechamento de 2018-2019, que durou 35 dias, resultou em uma perda de US$ 11 bilhões para a economia.
A crise ganha peso político adicional devido à proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro de 2026.
O líder democrata Hakeem Jeffries reforçou a posição de seu partido:
“Não apoiaremos um projeto de lei republicano partidário que continue desmantelando o sistema de saúde americano, nem agora nem nunca.”
Impasse no Senado e serviços mantidos
Apesar de terem maioria no Senado, os Republicanos não alcançaram os 60 votos necessários para aprovar o orçamento. O partido de Trump segue a sete votos do quórum mínimo, mantendo o impasse.
Mesmo com a paralisação, alguns serviços considerados essenciais continuam em funcionamento. Estão preservados os trabalhos do Serviço Postal, das Forças Armadas e de programas sociais como Previdência Social e cupons de alimentação.
Desde 1976, o governo dos EUA já enfrentou 21 shutdowns. A duração da nova paralisação, contudo, ainda é incerta.
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Quentuchas Notícias
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