O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) se comprometeu a buscar alternativas para lidar com o aumento da importação de lácteos do Mercosul. Essa garantia foi dada durante uma reunião com a Comissão Nacional de Leite da CNA, a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite (FPPL) da Câmara dos Deputados. O encontro ocorreu em Brasília e contou com a participação do secretário-executivo do Mapa, Irajá Lacerda, do secretário adjunto de Defesa Agropecuária, Márcio Rezende, e da diretora do Departamento de Negociações e Análises Comerciais da pasta, Ana Lúcia Gomes.

Além disso, foi acordado que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) editará uma portaria excluindo o uso de leite importado na merenda escolar. Também haverá uma revisão das leis e portarias relacionadas ao assunto para normalizar a situação. O ministro do MDA, Paulo Teixeira, comprometeu-se a apoiar o governo gaúcho na batalha junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para que a questão seja analisada o mais rápido possível.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), a importação de leite em pó, creme de leite e laticínios do Mercosul atingiu um recorde entre janeiro e maio deste ano. No período, o Brasil importou cerca de 350,5 milhões de dólares desses produtos, representando um aumento de 292,8% em volume em comparação com os primeiros cinco meses de 2022. A Argentina é a maior fornecedora (56%), seguida pelo Uruguai (34%), país que registrou um aumento de 497,7% nas exportações para o Brasil nos primeiros cinco meses de 2023.

Leia Também:

A invasão de produtos importados corresponde a aproximadamente 10% da produção nacional de leite, o que é muito preocupante. No curto prazo, as importações suprirão o mercado interno, mas a tendência é que a produção nacional de leite, que já vem diminuindo nos últimos seis anos, diminua ainda mais. O leite em pó representa 75% das importações feitas pelas indústrias brasileiras. O setor está importando mais de 200 milhões de litros de leite por mês, o que corresponde à captação diária das duas maiores indústrias do Brasil.

A expectativa é que as negociações do governo ocorram até o final deste mês. O setor solicita uma posição mais clara do governo para adotar medidas no curto prazo, dentro de 90 dias, pois o setor já está sendo afetado. O grupo aguarda a confirmação de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, ainda esta semana.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação