A Justiça de Santa Catarina autorizou a exumação do corpo do cãozinho comunitário conhecido como Orelha, que morreu na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. A Polícia Científica já realizou o procedimento, mas, devido ao segredo de Justiça que tramita o caso, detalhes como a data exata da análise do corpo e possíveis resultados não foram divulgados.

As investigações continuam avançando com o objetivo de encaminhar o caso à Justiça. A solicitação pela exumação foi feita pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) na última segunda-feira, 9, com o intuito de realizar uma perícia direta no corpo do animal. Após a conclusão das investigações pela Polícia Civil, o caso foi enviado ao MP-SC, que atua por meio da 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, especializada na área da Infância e Juventude, e da 2ª Promotoria de Justiça da Capital, na área criminal. Essas promotorias identificaram a necessidade de obter maiores esclarecimentos sobre o ocorrido.

O pedido para a exumação de Orelha partiu da 10ª Promotoria, que solicitou diligências adicionais relacionadas a quatro boletins de ocorrência registrados até então. Já a 2ª Promotoria estipulou um prazo de 20 dias para que os investigadores colham novos depoimentos e apurem se houve ou não coação durante o processo. Além disso, três adultos foram indiciados por coagir testemunhas, além do adolescente suspeito de agredir Orelha. O Ministério Público também pediu a internação do adolescente, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não preveja a internação de menores envolvidos em casos de maus-tratos a animais.

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Segundo informações preliminares da polícia, inicialmente quatro adolescentes eram apontados como suspeitos de agredir Orelha e outro cão comunitário, Caramelo. Com o avanço das investigações, apenas um adolescente foi confirmado como autor das agressões a Orelha, enquanto outro grupo foi apontado como responsável por tentar afogar Caramelo. Este último animal sobreviveu e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral Ulisses Gabriel.

Sobre o caso de Orelha, a polícia revelou que o adolescente apontado como agressor teve sua versão desmentida por câmeras de monitoramento, que registraram o jovem retornando da praia na manhã do dia 4 de janeiro, horário próximo ao ocorrido. Segundo as investigações, Orelha foi resgatado por uma moradora, mas morreu em uma clínica veterinária no dia seguinte devido à gravidade dos ferimentos. Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

Contudo, não há imagens ou testemunhas que confirmem que as agressões tenham partido do adolescente suspeito. A defesa do jovem divulgou um vídeo em que Orelha aparece caminhando, aparentemente saudável, na manhã do dia 4. A polícia confirmou que o cão do vídeo é o mesmo que teria sido agredido, mas alegou que o animal não morreu imediatamente após a agressão, o que contrasta com as versões iniciais.

Além da exumação do corpo de Orelha, o Ministério Público de Santa Catarina instaurou um inquérito na 40ª Promotoria do MP-SC para apurar a conduta do delegado-geral Ulisses Gabriel, responsável pelas investigações. A Polícia Civil informou que não divulga detalhes sobre diligências em andamento para garantir o bom andamento do procedimento policial, mas reforçou que a Polícia Civil e a Polícia Científica estão cumprindo as diligências necessárias de forma célere.

O caso também envolve o sofrimento de outro cão comunitário, Caramelo, que foi agredido na mesma praia e no mesmo mês. Diferentemente de Orelha, Caramelo conseguiu sobreviver às agressões e foi adotado pelo delegado Ulisses Gabriel, o que gerou questionamentos públicos sobre a conduta do delegado.

A situação de Orelha, um cão que se tornou símbolo de maus-tratos aos animais na região, permanece sob investigação, com a expectativa de que os resultados das perícias e depoimentos colhidos nos próximos dias possam esclarecer as circunstâncias da sua morte e responsabilizar os envolvidos. As autoridades continuam empenhadas em esclarecer o caso, buscando garantir justiça e proteção para os animais vítimas de maus-tratos na região.