Hoje, a Câmara Municipal de Caxias do Sul (RS) decidiu rejeitar a cassação do mandato do vereador Sandro Fantinel (sem partido), que havia proferido ofensas a trabalhadores encontrados em condição análoga à escravidão em vinícolas na Serra Gaúcha.

Nove parlamentares consideraram que Fantinel não feriu o decoro parlamentar em suas declarações feitas durante a sessão em 28 de fevereiro. Cinco dias antes, 215 trabalhadores foram encontrados em situações análogas à escravidão em Bento Gonçalves (RS), a maioria deles empregada em três vinícolas.

Na votação, foram registrados nove votos pelo arquivamento e 13 pela cassação, referentes a duas denúncias relacionadas às declarações discriminatórias contra os baianos. No entanto, eram necessários pelo menos oito votos para rejeitar a cassação. O próprio vereador se absteve na votação.

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Em fevereiro deste ano, Fantinel subiu à tribuna e fez insinuações de que os homens, em sua maioria baianos, seriam preguiçosos e sujos. O vereador também minimizou a exploração dos trabalhadores pelos empresários e questionou se as empresas teriam que hospedá-los em "hotéis cinco estrelas". Além disso, ele aconselhou os empresários da região a não contratarem mais pessoas vindas "de cima", referindo-se aos baianos. Em outro trecho, ele justificou sua conclusão, relacionando-a à suposta cultura dos baianos de viver na praia e tocar tambor.

Durante a sessão de hoje, o vereador se manifestou em uma declaração de pouco mais de 5 minutos, sendo interrompido várias vezes por gritos de "racista" e "pede para sair". Fantinel demonstrou arrependimento em relação às suas declarações de fevereiro, reconhecendo que suas palavras foram infelizes e pedindo desculpas à comunidade e às pessoas que se sentiram ofendidas.

Fantinel afirmou ter solicitado a retirada das suas declarações dos registros logo após tê-las proferido, e também ter feito uma retratação. No entanto, segundo ele, isso acabou sendo divulgado pela imprensa porque "não interessava, não dava ibope". Ele ressaltou que diferentes pessoas podem interpretar as situações de maneira distinta, inclusive os próprios juízes. Para ele, o importante é que cada juiz tem seu entendimento e o acusado, gostando ou não, deve ser respeitado.

O político argumentou que precisa de uma grande experiência impactante para mudar sua mentalidade e afirmou que não se identifica com ideologias radicais. Ele enfatizou seu arrependimento e destacou que, ao contrário de alguns, nunca cometeu assassinatos, estupros, roubos, desvios ou maltratou alguém em seus 55 anos de vida. Ele alegou que há pessoas que cometeram esses atos e estão livres e foram perdoadas.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação