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A Argentina está prestes a recuperar sua posição como principal fornecedora de trigo para o Brasil, devido à queda na produção nacional na última safra. Nos últimos dois anos, o Rio Grande do Sul exportou excedentes superiores a 3 milhões de toneladas de trigo e, este ano, precisará importar até 700 mil toneladas. O analista Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado, revela que já ocorreu a chegada de três navios da Argentina com destino aos moinhos gaúchos em dezembro. Essa mudança na dinâmica de abastecimento é uma resposta à safra que, inicialmente projetada em 11,5 milhões de toneladas, acabou totalizando 8,6 milhões, incluindo pelo menos 3 milhões de toneladas de trigo de baixa qualidade.
No Rio Grande do Sul, a expectativa inicial de colher 5,4 milhões de toneladas foi drasticamente reduzida para 3,2 milhões de toneladas devido aos efeitos do El Niño, causando chuvas e umidade excessiva. Do total colhido, 70% é considerado de baixa qualidade e inadequado para moagem, representando um desafio para os moinhos gaúchos, cujo consumo é próximo a 1,9 milhão de toneladas.
A área plantada no Brasil na safra passada aumentou 0,6%, apesar de uma queda de cerca de 10% no Rio Grande do Sul, compensada por um aumento de área no Paraná e em Estados da região do Cerrado. A produção total no país deve ficar em torno de 8,6 milhões de toneladas, considerando a perda significativa no território gaúcho e a redução no Paraná.
No primeiro quadrimestre de 2023, a Rússia superou a Argentina nas vendas de trigo para o Brasil, uma situação rara que não ocorria desde 2009 e 2010. No entanto, de dezembro de 2022 a novembro de 2023, as exportações argentinas totalizaram menos de 4 milhões de toneladas. Para a temporada atual, a expectativa é que a Argentina exporte cerca de 8,5 milhões de toneladas.
A Argentina está aproveitando sua vantagem logística e a isenção do pagamento da tarifa externa comum para aumentar sua presença no mercado internacional, ganhando espaço em relação à Rússia. O consultor Elcio Bento destaca que essa tendência é impulsionada pela resolução das questões políticas internas argentinas com a eleição de Javier Milei. No ano passado, a Argentina poderia ter exportado mais, mas devido às discussões sobre a redução de impostos de exportação, optou por adiar as vendas. O Brasil, sendo o principal destino dessas vendas, deve importar 6,2 milhões de toneladas de trigo nesta temporada, representando o maior volume desde 2019/2020, após ter comprado 4,5 milhões de toneladas no ano anterior, o menor volume importado desde a década de 80.
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Quentuchas Notícias
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