Nesta terça-feira (15), a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-RS) realizou um protesto em Porto Alegre, focando em mudanças no mercado de leite e melhorias nas condições de contratação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). A concentração teve início às 7h em frente à sede do Banco Central, localizada na Rua Sete de Setembro, no Centro Histórico. Por volta das 10h, o grupo começou a se dirigir ao Palácio Piratini.

Conforme Douglas Cenci, presidente da federação, a manifestação é uma resposta às alterações realizadas pelo governo federal nos critérios de enquadramento de agricultores familiares no Proagro, as quais "têm excluído um grande contingente de agricultores familiares, cerca de 25% deles no Rio Grande do Sul, de acordo com os próprios dados do Banco Central", declara Cenci. Ele explica que os agricultores que diversificaram seus cultivos também obtiveram recursos de diversos fundos nos anos anteriores, o que, segundo a legislação vigente, impede-os de obter mais financiamento para suas lavouras no momento atual.

Isso é evidenciado no caso do agricultor familiar Felix Parisotto, que cultiva ameixas e pêssegos juntamente com outros quatro membros de sua família em uma propriedade rural de cinco hectares no município gaúcho de Ipê. Parisotto lamenta: "Até o ano passado, consegui (obter recursos do Proagro), mas este ano me dizem que já foram obtidos muitos recursos e que venceram". Caso obtenha acesso aos recursos, ele planeja destiná-los à aquisição de insumos.

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Além das reivindicações relacionadas ao Proagro, representantes da cadeia leiteira também marcaram presença no protesto, pleiteando limitações nas importações de produtos do leite provenientes de países do Mercosul, bem como um aumento no preço mínimo para venda. A produtora Graciela Cassol, de Marcelino Ramos, enfatiza que sua participação no protesto busca "melhores condições para fornecer alimentos às pessoas, porque, se a agricultura familiar não prospera, todas as outras cadeias produtivas também são afetadas". Ela descreve a situação em sua propriedade como desafiadora devido aos custos elevados e aos preços decrescentes do leite.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação - CP