O otimismo dos triticultores está sendo substituído por prejuízos significativos nos campos gaúchos, onde chuvas persistentes têm contribuído para a perda de qualidade e produtividade nas plantações de trigo. A situação é agravada pelo aumento do risco de doenças, como a giberela, e pela baixa cotação do cereal. Em resposta a esses desafios, uma portaria federal foi divulgada, liberando R$ 400 milhões em subvenção por meio de pagamento de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua Cooperativa (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), a serem oferecidos em leilões pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, os recursos para equalização de preços abrangerão até 1,5 milhão de toneladas, levantando preocupações sobre a insuficiência do montante.

A colheita de trigo avança lentamente, atingindo 11% na última semana, segundo a Emater/RS-Ascar. Com uma área plantada de 1,5 milhão de hectares e uma expectativa de produção de 4,7 milhões de toneladas, diversas regiões já enfrentam quebras na produção. A situação levou representantes do setor a uma reunião virtual, onde cerca de 100 pessoas discutiram os desafios enfrentados. O coordenador da Comissão do Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim, descreve a situação como caótica em todo o Estado, destacando que mesmo nas regiões mais tardias, como os Campos de Cima de Serra, o período de florescimento coincide com chuvas persistentes, prejudicando o desenvolvimento das plantas.

Em áreas como a regional de Bagé da Emater, onde 167 mil hectares foram semeados, a colheita está mais avançada, mas a produtividade já apresenta uma redução de até 30%. Com o mercado instável e a incerteza quanto à qualidade do trigo, as preocupações aumentam diante dos prognósticos de mais chuva no Estado. Os produtores já buscam Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e seguro agrícola para mitigar as perdas.

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Embora a portaria governamental tenha disponibilizado recursos, o setor avalia que os R$ 400 milhões são insuficientes para cobrir as perdas, considerando a defasagem de preço no mercado. Hamilton Jardim destaca que o montante pode ser suficiente para socorrer apenas 800 mil toneladas, sendo que o Paraná e Santa Catarina também enfrentam preços abaixo do mínimo. Com uma defasagem considerável entre o preço mínimo estabelecido (R$ 88,77) e o valor de mercado (R$ 52,00), o setor busca mais recursos do governo federal, ciente das limitações orçamentárias, e aguarda definições sobre os editais de leilão da Conab.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação - CP