Durante um seminário promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para comemorar os 10 anos do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), vinculado à pasta, foi apresentado um balanço sobre o fluxo de migrações internacionais para o Brasil entre 2013 e 2022. Nesse período, nasceram 129,8 mil crianças de mães imigrantes que chegaram ao país.

O relatório destacou a evolução dos nascimentos, inicialmente provenientes de nações da região do Cone Sul, como Bolívia e Paraguai, para países que vivenciaram crises migratórias nos últimos anos, especialmente Venezuela e Haiti. Em 2013, a maioria das crianças nascidas de mães imigrantes eram bolivianas e paraguaias, seguidas por mulheres chinesas. Já em 2018, as venezuelanas ocuparam a primeira posição, seguidas por haitianas e bolivianas.

O perfil dos imigrantes que chegaram ao Brasil também passou por mudanças significativas, deslocando-se de países do Norte para o Sul Global. Em 2022, a Polícia Federal registrou 1,2 milhão de registros de residência de longo termo e temporárias, indicando um aumento significativo em comparação com o início do período analisado. Venezuelanos, haitianos, argentinos e colombianos se tornaram as principais nacionalidades a solicitarem residência.

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O relatório também abordou o tema dos casamentos envolvendo imigrantes, totalizando 66,3 mil casos. A maioria dos casamentos ocorreu entre homens imigrantes e mulheres brasileiras, seguido por uniões entre homens brasileiros e mulheres imigrantes, e casamentos nos quais ambos os cônjuges eram imigrantes.

No mercado de trabalho formal, o número de imigrantes aumentou de cerca de 90 mil em 2013 para 200 mil em 2022, com venezuelanos, haitianos e paraguaios sendo as principais nacionalidades inseridas nas áreas de agronegócios, construção civil e alimentação.

O relatório também destacou o aumento nas solicitações de reconhecimento da condição de refugiado apresentado à Polícia Federal, com ênfase na crise humanitária na Venezuela a partir de 2016. Ao longo da série histórica analisada, houve 210.052 solicitações de refúgio de venezuelanos, além de significativas contribuições de haitianos, cubanos e angolanos. A participação feminina nas solicitações de refúgio aumentou ao longo dos anos, atingindo 40% em 2022.

FONTE/CRÉDITOS: Redação