Após o velório realizado nesta quinta-feira (24), o corpo da mulher que faleceu devido a uma gaze esquecida em seu corpo após um parto em Parobé, Região Metropolitana de Porto Alegre, foi encaminhado para necropsia, conforme pedido da Polícia Civil.

Mariane perdeu a vida na quarta-feira (23), dois meses após dar à luz em um hospital da cidade. Laudos médicos revelaram a presença de uma gaze no interior do seu corpo.

A Polícia Civil está investigando o caso e afirmou que irá interrogar todas as partes envolvidas para esclarecer a situação e determinar se houve negligência profissional. Após a realização da necropsia, o corpo será preparado para o enterro.

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O parto de Mariane foi realizado por cesárea no Hospital São Francisco de Assis, em Parobé. O hospital declarou em nota que o óbito ocorreu devido a uma "complicação pós-cirúrgica descrita na literatura e não previsível". A instituição reforçou seu compromisso com a ética e a legalidade na prestação de cuidados de saúde.

A família de Mariane recebeu um laudo que confirmava a presença de um "corpo estranho" no organismo dela, após uma ultrassonografia realizada em 14 de agosto. A mãe de Mariane, Márcia Rosa da Silva, expressou a dor da família e lamentou as dificuldades enfrentadas pela filha "ela sofreu muito, muito, muito, ela não merecia passar por tudo isso." lamentou a mãe.

Segundo Cristiano da Silva, marido de Mariane, pouco tempo após receber alta, sua esposa começou a sentir dores abdominais intensas. Após recorrer à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Novo Hamburgo, exames revelaram a presença da gaze. A família retornou ao Hospital São Francisco de Assis com os laudos, onde, segundo Cristiano, um funcionário reagiu com surpresa e não devolveu os documentos. O hospital nega essa afirmação. Exames revelaram a presença da gaze, e Mariane passou por duas cirurgias, sendo que o segundo procedimento não foi comunicado à família. O óbito foi confirmado no dia seguinte.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil para esclarecer as circunstâncias da tragédia.

Nota do Hospital São Francisco de Assis Parobé

 

"Tendo em vista o óbito noticiado na imprensa local, o HSFA esclarece que as matérias publicadas possuem informações inverídicas, eis que conforme prontuário e relato dos profissionais envolvidos no atendimento, o óbito ocorreu por complicação pós-cirúrgica descrita na literatura e não previsível. O tratamento requer intervenção cirúrgica e todas as medidas adotadas foram corretas.

Ao contrário do noticiado, em nenhum momento a causa da morte foi informada pelo hospital como sendo 'causas naturais'.

Lamentamos profundamente a perda da família e todas as informações referentes ao atendimento estão à disposição dos familiares.

Por fim, gostaríamos de deixar claro que, mesmo com dificuldades, trabalhamos há mais de 40 anos pautados nos ditames éticos e legais vigentes para oferecer a melhor assistência para a região de mais de 2 milhões de pessoas atendidas pelo HSFA e que não toleraremos notícias falsas e caluniosas contra esta instituição e seus colaboradores."

"Não vamos nos manifestar no momento. Estamos iniciando sindicância conforme regulamentam os órgãos de fiscalização"

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação