A Polícia Federal (PF) está em processo de formação de uma equipe especial e dedicada exclusivamente à questão indígena no Rio Grande do Sul. Com uma base estratégica a ser montada junto à Delegacia de Passo Fundo, a iniciativa visa intensificar a prevenção e investigação de conflitos que, nos últimos anos, resultaram em dezenas de mortes e incidentes violentos em terras indígenas do estado.

Equipe especializada e recursos nacionais

O delegado Mauro Lima Silveira, chefe da Delegacia Regional de Polícia Judiciária da PF no Rio Grande do Sul, informou que o efetivo será composto majoritariamente por agentes vindos de outras regiões do país. A definição da equipe e a diretriz para a criação da base vêm da Diretoria da Amazônia da PF, responsável por crimes contra comunidades indígenas, com custeio apoiado pela direção nacional, sobretudo em diárias para os policiais.

A fase atual é de montagem da equipe, priorizando agentes com experiência prévia na temática indígena, que serão mesclados com outros policiais. A expectativa é que o delegado responsável seja escolhido nos próximos meses e que a base esteja operacional antes do final do ano.

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Missão: Prevenção e diálogo com comunidades

A principal missão da nova equipe será a busca por uma interlocução eficaz com outros órgãos federais, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e diretamente com as comunidades caingangue e guarani, predominantes em território gaúcho. O objetivo é estabelecer um relacionamento de confiança e conhecimento mútuo com as lideranças indígenas.

“Vamos tentar, mais do que investigar, antecipar as possibilidades de conflito. E evitá-los”, resumiu o delegado Silveira, destacando o foco proativo da iniciativa.

Passo Fundo: Centro dos conflitos e base estratégica

A escolha de Passo Fundo como local para a base não é aleatória. A região é identificada como a que concentra o maior número de conflitos e reservas indígenas no Rio Grande do Sul, tornando-a um ponto estratégico para a atuação da PF.

A criação desta base é considerada fundamental diante do histórico recente de violência. Nos últimos anos, foram registrados conflitos graves em diversas terras indígenas, incluindo:

  • Ventarra (Erebango): Três mortos e vários feridos.
  • Nonoai: Dois mortos e três dezenas de casas incendiadas.
  • Serrinha (Ronda Alta): Dois mortos e vários veículos e casas incendiados.
  • Carreteiro (Água Santa): Um morto e apreensão de arsenais.

A iniciativa da Polícia Federal é vista como um passo crucial para a estabilização e segurança dessas comunidades, buscando reverter um cenário de tensões e perdas humanas que marcou a história recente das terras indígenas gaúchas.

FONTE/CRÉDITOS: GZH