O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 23, durante a cúpula dos Brics, a necessidade de um marco internacional que permita aos governos se sobrepor às grandes corporações.

A declaração foi feita algumas semanas após o líder brasileiro criticar o bilionário Elon Musk, dono da rede social X, que teve atritos com o Supremo Tribunal Federal (STF) após a suspensão da plataforma no Brasil por ordem da Corte. Lula não mencionou diretamente o nome de Musk.

“Precisamos fortalecer nossa capacidade tecnológica e promover marcos multilaterais que sejam inclusivos, nos quais as vozes dos governos prevaleçam sobre os interesses privados”, declarou Lula. A reunião dos Brics acontece em Kazan, na Rússia, mas o presidente brasileiro participou por videoconferência, após cancelar sua viagem devido a um acidente doméstico no fim de semana.

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Mundo multipolar

Lula também destacou que a presidência brasileira à frente do grupo reforçará o compromisso com a construção de um mundo multipolar. Ele ressaltou que o bloco, com o crescente protagonismo da China, se consolida como uma força alternativa ao poder exercido pela aliança Estados Unidos-Europa na política internacional.

“Na presidência brasileira dos Brics, queremos reafirmar o papel do bloco na busca por um mundo multipolar e por relações internacionais menos assimétricas entre os países”, afirmou o presidente.

O lema da presidência brasileira no próximo ano será “fortalecer a cooperação do Sul Global para uma governança mais inclusiva e sustentável”. Lula também destacou a necessidade de eliminar as disparidades no acesso a vacinas, medicamentos e no desenvolvimento da inteligência artificial, citando a pandemia como exemplo.

Oriente Médio e Ucrânia

Durante seu discurso, Lula fez um apelo para evitar a escalada dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que ele alertou terem o potencial de se tornar crises globais. Ele ressaltou a importância de iniciar negociações de paz tanto no conflito entre Ucrânia e Rússia quanto na guerra entre Israel, Hamas e Hezbollah.

“Evitar a escalada e iniciar negociações de paz é crucial no conflito entre Ucrânia e Rússia”, declarou Lula, pedindo que os países trabalhem juntos para encerrar esses confrontos.